O vício em doses homeopáticas

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Por Miguel Soriani

O mundo é sem piedade e até riria/ Da tua inconsolável amargura.” (Manuel Bandeira)

         Há algo de muito estranho acontecendo no mundo. O poeta nos lembra desse elemento de maldade presente na existência, sem o qual a própria vida não faria muito sentido dentro do cosmos. Deus não poderia criar um mundo sem um certo coeficiente de falta, de imperfeição, pois isso seria criar um outro Ele e isso seria uma impossibilidade pura e simples: o criador está necessariamente acima da criatura. O mundo nunca foi bem, disso sabemos, mas vai de mal a pior.   

         Como se já não bastasse a amargura própria dessa porca existência, os comissários do mal não param de trabalhar um minuto sequer. São obsessivos missionários da infelicidade, se dedicam como um imparável tanque de guerra, trabalham dia e noite sem parar com um único intuito: destruir o bem.

         A maldade se vale de uma série de instrumento para trabalhar e o vício é o principal deles. Se a virtude com toda certeza conduz o homem ao caminho da felicidade, predispondo nele as condições habituais para que ele faça aquilo que se deve fazer, o vício faz o caminho contrário: ele leva o homem a agir contra si mesmo e contra a ordem total. Incentivar e disseminar o vício é sem sombra de dúvidas a forma para enlouquecer, enfraquecer e destruir uma sociedade e essa técnica é mais antiga do que andar para frente. Os clássicos casos de Sodoma e Gomorra e do Imperio Romano servem para ilustrar o que eu estou lhes dizendo.

         O grande problema é que o peixe de fato não percebe, e não pode perceber, a água em que nada. Isso quer dizer que as cabeças pensantes desse mundo sabem muito bem disseminar o vicio na sociedade em doses homeopáticas, de modo que a língua não perceba o sabor do amargo. Além disso, os comissários da morte sabem muito bem inverter o jogo: fazem um mal parecer um bem. Sempre fizeram assim e sempre o farão: não poderia ser diferente com a pornografia.

         O vício em pornografia de fato causa uma série de mudanças cerebrais, tornando o seu consumo cada vez mais dependente e ávido por doses maiores de peitos em pixels. O ponto é que o consumidor de pornografia não vê a água em que nada, não percebe que esse hábito aparentemente despretensioso está, homeopaticamente, roubando a sua vida. De fato, o bom ladrão é aquele que rouba sem ser percebido, que mata sem deixar rastros e que esconde muito bem o corpo da vítima antes da polícia chegar ao local.

         Graças ao bom Deus, Humberto Gessinger estava errado: não existe crime sem castigo. O castigo do vício é o sintoma neurótico, é a mentira existencial, é a angustia, a tristeza e o peso da consciência moral, quando algo dela ainda resta.

         Se o mundo vai de mal a pior, resta-nos apenas levantar a bandeira da virtude. Mesmo em meio ao caos, a virtude ainda nos é uma possiblidade e isso quer dizer que a felicidade pode existir dentro da nossa alma individual. Se o vício em pornografia nos foi empurrado “goela a baixo” por garganta profunda e seus amigos, resta-nos o trabalho de reconstruir a nossa alma mesmo que seja a duras penas, resta-nos a busca pela felicidade e pela liberdade interior. Nenhum mundo estranho pode nos separar desses elementos uma vez que são conquistados.

Se quiser saber como a pornografia muda o cérebro, clique aqui.

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